O picadeiro do Cirque du Soleil, em cartaz em São Paulo, ganhou contornos brasileiros. Dentre seu vasto elenco, que inclui alguns dos melhores artistas circenses do mundo, está Júlio César, grande trapezista formado pela própria Unicirco. Júlio, que cresceu assistindo videocassetes do Cirque du Soleil para treinar e se inspirar, conta que chegar na companhia foi a realização de um grande sonho. “Apesar de ser a quarta geração [de circo] da minha família, de assistentes a assistentes, eu sou o primeiro a conseguir chegar no Cirque du Soleil”, contou.

A sua disciplina e formação foram fundamentais para isso. “Lá na Unircirco, Marcos Frota, eu passei anos e anos com meu pai, que é professor de trapézio lá. Eles ensinam diversos trapezistas que hoje em dia brilham ao redor do mundo e eu sou um deles”, afirmou. “Eu sou muito grato, a palavra é gratidão mesmo, pelo que a escola do Marcos pôde me proporcionar. A Unicirco mudou a minha vida completamente”, declarou.
O Cirque du Soleil consagrou-se como a maior companhia de circo contemporâneo, cuja excelência artística e técnica tornou-se referência mundial. “Alegria” é um de seus espetáculos mais famosos e ganhou agora uma releitura que está em cartaz no Parque Villa Lobos, até 9 de novembro. Dentre seu elenco internacional, estão outros três brasileiros: Pipe, João Pedro e Geilson Santana, este último também com longa passagem pelo projeto Unicirco, onde iniciou seus primeiros balanços no Trapézio de voos.
Para Marcos Frota, fundador e idealizador da Unicirco, acompanhar os artistas formados pela Unicirco compondo o elenco de “Alegria” representa a materialização e continuação de um trabalho que foi desenvolvido ao longo de muitas décadas. “Eu não consegui segurar as minhas lágrimas. Eu chorei copiosamente, porque eu olhei pra trás e pensei, ‘valeu a pena tudo’”, contou após assistir ao espetáculo.
O Projeto Unicirco Arte Educação e Comunidade está em sua sexta edição e conta com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, e o apoio do governo do Estado, Secretaria de estado de Cultura e Economia criativa do Rio de Janeiro. As suas ações pedagógicas utilizam o circo como meio de mudança social. Mais ainda, o núcleo pedagógico focado em alunos avançados visa a formação profissional de alunos que saem de lá para alcançar grandes palcos nacionais e internacionais. Ver parte desta história prosseguir num dos picadeiros mais consagrados do mundo é conseguir compartilhar um pouco do orgulho que a instituição sente dos seus resultados com todo o nosso respeitável público.


